100 Dias de Arte: dia 40 – Joseph Kosuth

Arte não é sobre beleza, embora um trabalho, uma pessoa ou uma mesa possam ser belos. É um aspecto possível, mas não essencial. Se queremos que a obra seja importante para nosso tempo, não podemos fazer arte decorativa ou simplesmente entretenimento visual.” Kosuth

Kosuth nasceu em 1945 e além dos estudos no campo artístico, estudou também filosofia e antropologia. Artísticamente, parte da obra de Marcel Duchamp ao considerar que a arte moderna ou conceitual começa com o primeiro ready-made, enquanto passou da aparência ao conceito. Suas criações mais conhecidas intitulam-se “Investigações” e consistem em dispositivos que examinam e reclassificam realidades mediante o uso do texto, de acordo com sua vontade de explorar a natureza da arte e conduzi-la a sua desmaterialização.

“UMA E TRÊS CADEIRAS”

Essa é considerada a mais importante obra do artista, feita quando ele tinha apenas 20 anos, que foi comprada pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Na época ele não contava sua idade para conseguir ser levado a sério. Esta obra foi a mais importante de sua carreira.

A obra nos estimula a conceber diferentes visões sobre a mesma arte apresentada.

Priorizar o conceito, ao invés de venerar a face estética é o principal modus operandi adotado por Kosuth para a criação de sua obra. Em termos estruturais, ela se divide em três diferentes elementos: uma cadeira comum, dobrável e de madeira; uma fotografia em prata coloidal da mesma cadeira, ampliada e tirada de dentro da própria galeria; e uma fotocópia de uma definição da palavra “cadeira”, retirada de algum dicionário de língua inglesa.

A cadeira de madeira, colocada no centro da obra e apresentada como ideia física, com finalidade prática, para elevá-lo à categoria de obra de arte.

 Com isso, a cadeira é tirada de seu contexto usual e recolocada em um ambiente de museu, provocando a ressignificação do objeto “cadeira” e, como elemento pertencente a uma obra de arte, a desobjetificação do objeto como tal. Ou seja, a privação de sua função principal – agora compreendida como objeto a ser analisado e não sentado em cima.

Por sua vez, a fotografia da cadeira, identificada como forma representativa do objeto e posicionada à esquerda da “cadeira física”, desperta questionamentos acerca da verdade e da imitação do espaço em um museu, isto é, brinca com a ideia de representação característica de uma obra de arte dentro de um local que apresenta as mais variadas formas de representação da realidade.

Já a fotocópia da definição da palavra “cadeira”, fixada na parede, à direita do objeto, e apresentada como forma verbal do elemento principal da obra de arte, traz para a análise conceitual a natureza linguística da proposta artística idealizada por Kosuth. Nesse sentido, a fotocópia estabelece a fronteira entre aquilo que nos é apresentado como real e único e aquilo que encaramos de maneira indireta e imagética, construído, essencialmente, em nossas mentes.

'Zero & Not' e 'O&A', obras de Joseph Kosuth, apresentadas no Sigmund Freud Museum, em Viena, em 1987 G. Pakesch / Divulgação

'The Eight Investigation, Proposition 3' (1971), obra de Joseph Kosuth na Leo Castelli Gallery, em Nova York Leo Castelli Gallery / Divulgação

Recomendo a leitura da entrevista do artista em sua visita ao Brasil, acessando aqui.

E para ficar por dentro da arte, acesse aqui e conheça nossa escola!

A dica veio do professor Murilo Braga.

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