A Arte de Charlie Chan Hock Chye de Sonny Liew

Existe uma discussão nos meios literários sobre o quadrinho ser uma arte separada da literatura. Por exemplo qual a diferença de um livro ilustrado e um quadrinho? Separar o quadrinho em seu próprio meio, como a “nona arte”, é uma forma de dizer que há coisas que só o quadrinho pode fazer. Alguns autores de quadrinhos estendem e modificam o meio com suas obras tocando em assuntos distintos ou criando estéticas que fazem o meio se separar de outras artes.

Will Eisner, Osamu Tezuka, Alan Moore, Art Spiegelman, Frank Miller, David Mazzucchelli e Sonny Liew, entre tantos outros, mudaram a estética e a forma de contar histórias através de quadrinhos separando a mídia de outras formas de arte.

A Arte de Charlie Chan Hock Chye é a biografia fictícia do maior quadrinista de Cingapura e serve de pretexto para contar a história da pequena ilha de 3 milhões de habitantes desde o fim do domínio inglês e sua luta por independência.

Setenta anos de história são contados emulando vários estilos de quadrinhos, desde Tezuka, passando pela revista inglesa Eagle, a revista Mad, O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller até Carl Barks, famoso desenhista da Disney. Cada estilo é usado em pequenas histórias dentro da história geral que conta a vida de Charlie e de seu país entre movimentos politicos e momentos históricos. Além disso Sonny Liew coloca retratos e caricaturas de pessoas da história de Cingapura e artistas locais e de Hollywood.

A Arte de Charlie Chan Hock Chye é um quadrinho político, é uma obra recheada de referências a outras obras e é uma história de Cingapura em quadrinhos. Talvez seja o quadrinho mais importante desde Maus de Art Spiegelman. Em um mundo cada vez mais dividido ler a obra de Sonny Liew, é ter uma visão nova e diferente sobre a história e os dias atuais.

Texto de Sérgio Fernandes Farinha.

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