Caio Yo: Visita ao Japão e Comiket 89

Viajar é ótimo! Ainda mais quando a gente aproveita para conhecer grandes eventos de quadrinhos mundiais! O professor Caio Yo foi ao Japão e nos conta tudo! Veja abaixo:

No final do ano de 2015, enquanto estava no Japão, tive a oportunidade de visitar o Comic Market. O evento é incrível, com muitas características peculiares. Me fez refletir bastante sobre a publicação de quadrinhos autorais – e sobre algumas questões do nosso mercado brasileiro.

Abaixo, um relato e um vídeo com algumas imagens do evento.

Em frente ao Tokyo Big Sight

Em frente ao Tokyo Big Sight

O Comic Market (ou Comiket) é um evento focado totalmente na produção independente de quadrinhos, livros e artbooks. É o segundo maior evento do Japão (perdendo somente para o Tokyo Motor Show), e, seguramente, o maior evento exclusivamente destinado aos quadrinhos independentes no mundo.
As proporções são assombrosas: mais de 500 mil visitantes, em um evento que acontece duas vezes por ano, desde 1975. São 35 mil mesas destinadas aos autores, que só participam em um dos três dias de evento. O total de exemplares vendidos em uma única edição está na casa dos milhões…

O evento ainda conta com outras atrações, como um saguão dedicado somente às empresas (estúdios de animação, editoras, distribuidoras, etc), e o cosplay.

Estação de trem, a caminho do Comiket.

Estação de trem, a caminho do Comiket.

O Comiket acontece no Tokyo Big Sight, um espaço impressionante, de arquitetura futurista – do jeito que todo ocidental imagina ser Tóquio. Ele comporta adequadamente o grande número de visitantes – em áreas internas e externas – e conta com restaurantes, lojas de conveniências e uma estação de trem ao lado, que é por onde a maioria dos visitantes chega.

A viagem do centro da cidade até o evento é relativamente rápida – seja de metrô ou de trem. O Tokyo Big Sight fica em Odaiba, um distrito de compras e entretenimento construído sobre uma ilha artificial.

A ilha artificial de Odaiba, onde acontece o Comiket.

A ilha artificial de Odaiba, onde acontece o Comiket.

Um dos seis pavilhões com as mesas dos autores independentes

Um dos seis pavilhões com as mesas dos autores independentes

Descendo da estação – independentemente da hora que você chegar – você se depara com uma multidão chegando e saindo do evento. Boa parte leva grandes mochilas e malas de rodinha – já mostrando o volume das compras.
O fluxo de pessoas te leva até a frente do Comiket, passando por um enorme telão de LED e pela área de cosplayers. A entrada é gratuita.
Já dentro do evento você se depara com as reais proporções: são diversos saguões, com milhares de autores em cada um. Os visitantes mais experientes costumam já vir preparados – com um catálogo do evento (que tem uma versão física, vendida pelo equivalente a 20 dólares, e uma versão online). Sem ele, existe um grande risco de você não conseguir encontrar os autores que está procurando.

Os autores ficam organizados nos corredores por gêneros e temas. São publicações de todos os tipos: ação, romance, adultos, fanzines, artbooks; e os autores mais experientes se misturam aos em início de carreira.

Acho bastante interessante a forma como o mercado de quadrinhos japonês enxerga as publicações não-oficiais de fãs com personagens famosos. Eles não parecem se preocupar tanto com a violação de direitos autorais – nesse caso. Parece ser um fenômeno natural, com o qual os estúdios e editoras aprenderam a conviver.

Mesmo assim isso já foi motivo de polêmica e de alguns confrontos judiciais. Há, por exemplo, o caso conhecido de um fanzine do mangá Doraemon, que foi processado por se parecer exageradamente com uma publicação oficial. A maioria dos fanzines, no entanto, é vendida sem problema algum. As editoras declaram não se importar, desde que seja dentro de eventos como o Comiket. Porém, é possível achar em grandes lojas pelo Japão – como a cadeia Animate – materiais oficiais e não-oficiais lado a lado nas prateleira.

Entre os fanzines, estão alguns inclusive de desenhos animados ocidentais.

Entre os fanzines, estão alguns inclusive de
desenhos animados ocidentais.

Prateleiras de uma Animate, em Tóquio.

Prateleiras de uma Animate, em Tóquio.

A parte que mais me interessava era a de material original. Eram muitos autores (alguns, imagino, profissionais do mercado editorial e de games), com uma variedade imensa de trabalhos. A qualidade gráfica das publicações chama a atenção, com capas duras, impressões metálicas, papéis texturizados, formatos incomuns…

Para participar do evento é necessário que cada autor, antes, participe de um processo seletivo. Os 35.000 selecionais pagam 7500 ienes (o equivalente à uns 215 reais), pelo direito de participar durante um dia de evento (das 10:00 às 16:00), com um espaço para exposição dos seus produtos de meia mesa (90×45 cm).

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Diversas publicações originais – entre elas o artbook Heaven, do brasileiro Hiru Miyamoto.

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Estande dos marcadores Copic

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Estande dos marcadores Copic

O evento ainda conta com estandes montados especificamente para os autores. São materiais de desenho, papéis, livros de fotografia, livros sobre processos de pintura… Tudo isso com preços abaixo do normal das lojas japonesas. Em alguns deles, demonstrações sendo feitas ao vivo – e a oportunidade de, mais uma vez, conversar com artistas atuantes no mercado.

Conhecer esse evento foi uma oportunidade de ter um certo distanciamento para analisar o nosso mercado de quadrinhos autorais e perceber os seus pontos negativos e positivos. O Brasil têm um enorme número de leitores de quadrinhos – e cada vez é maior a porcentagem deles que se interessa pelos autores brasileiros. Já são tantos que, cada vez mais, cresce o número de eventos com áreas dedicadas somente às publicações independentes, com uma estrutura muito melhor do que antigamente.

Da mesma forma que acontece com o mercado japonês, com o grande número de autores, cresce também a competição por relevância e espaço no mercado. E só temos a crescer e a aprender com isso.

Por: Caio Yo

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