Dia Internacional da Mulher

A arte sempre foi agente de mudanças sociais, e apesar do mundo das artes demonstrar cada vez mais uma busca por maior diversidade, ainda há um grande caminho a percorrer para que as mulheres ocupem seu espaço de direito.

Hoje é um dia muito importante – Dia Internacional da Mulher, e para comemorar convidamos 3 artistas, alunas da Pandora, para mostrar um pouco da sua arte e nos contar a sua trajetória.

Ana_blog

A arte se revelou pra mim muito cedo e com uma naturalidade surpreendente. Desde muito nova esboçava o desejo de ser artista, sem saber ao certo o “peso” que o título carrega, quando digo peso não falo de forma literal, mas sim da responsabilidade, da delícia e da dor que é fazer arte.

Por medo, ironia, necessidade, (tudo junto) me afastei da minha certeza mais sincera de criança e segui por um caminho mais “seguro” durante 6 anos.

Aprendi muito sobre limites nessa pequena jornada, fui colocada à prova diversas vezes e então cheguei ao que costumam chamar de “pânico”. Meu medo nasceu da pressão de ser alguém e do receio de não ser ninguém.

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E foi no meio desse turbilhão de acontecimentos que abandonei a minha vida segura e encontrei a Pandora, então algo que era somente mito se revelou como esperança.

Através da escola ganhei amigos lindos, conheci artistas incríveis que hoje influenciam o meu trabalho de uma forma muito delicada.

Busco através do meu trabalho, assim como todo artista (imagino), uma forma de me comunicar e expressar acontecimentos atuais e gostos particulares. Tenho estudado para aprimorar técnicas com tintas, canetas e marcadores.

Gosto de ilustrar celebridades marcantes, e homenagear artistas do coração.

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 Atualmente tenho focado na produção de trabalhos originais inspirados em músicos, bandas e músicas específicas, sempre contando uma história, dando movimento para o desenho e criando acontecimentos e sensações ímpares para os observadores. Dentro dessa linha de criação tenho projetos envolvendo um diário recheado com períodos da minha vida, quem sabe mais pra frente uma HQ!

Princesa Leia Organa- arte selecionada para a exposição "Batom, lápis e tpm"

Princesa Leia  arte selecionada para a exposição “Batom, lápis e tpm”

De qualquer forma, gosto muito do lúdico, de metáforas e de aplicá-las à vida, dando significados reais. Me agrada as miudezas do cotidiano, o simples e o invisível, os clichês da vida que a gente deixa pra lá. Quem sabe eu consiga somar todas essas coisas lindas no meu trabalho para fazê-lo bonito e fluído como a vida é.

Vi_blog

Meu nome é Vi Cardoso, sou aluna de quadrinização na Pandora, e de artes visuais na Puc Campinas.

Eu curto muito ler e escrever, bem mais do que assistir filmes, mesmo sendo apaixonada por animação – meu tipo de filme favorito e o que mais assisto, seja no cinema ou computador.vi4

Eu me inspiro muito em quadrinistas japoneses, em publicações independentes brasileiras, filmes da Disney e séries animadas como Futurama, Steven Universe, Star vs the Forces of Evil.

Eu gosto muito de trabalhos expressivos e que falam do cotidiano, mas também sou fascinada por histórias de super-heróis, porém não dos típicos super heróis como os da Marvel ou da DC,  prefiro heróis como Danny Phantom,  Uma Robô Adolescente e Kim Possible.

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Eu gosto de simbolismos e textos filosóficos, e histórias que formam um caráter assim que você lê ou assiste.vi2b

Adoro histórias adultas e sem preocupações com  tabus. Sou a favor das animações com temas pesados e situações que os adultos podem se identificar. Discussão de assuntos atuais que não são muito falados, e sofrem preconceitos quando mencionados, como homossexualidade e feminismo.

Mais sobre a Vi Cardos:  www.vicardoso.com e fanpage

Aline_blog

Costumo falar para as pessoas que a minha introdução aos quadrinhos foi meio bizarra:

Aos dez anos conheci “Aline e seus dois namorados”, de Adão Iturrusgarai (minha mãe o comprou apenas por ter o meu nome), desde então não me desliguei mais de quadrinhos ácidos, independentes, rancorosos e meio toscos.

Foi apenas na graduação em Estudos Literários, no entanto, que comecei a trabalhar, de fato, com HQ. Pesquisei as hqs autobiográficas da Alison Bechdel no TCC e no mestrado e, apesar de ter desenhado e escrito a vida inteira, só recentemente passei a me entender como artista e não apenas como escritora (tinha publicado, em livro, poemas e fragmentos de prosa poética do jurássico blog vazioliterario.blogspot.com).A2AlineZouvi-1

 Fiz cursos de desenho em outras escolas de Campinas, até iniciar o curso de quadrinização na Pandora, com o Mario Cau. Com o apoio do Mario, fiz o meu primeiro zine, “Cordas” (disponível para leitura em tinyurl.com/cordashq), que conta um curto episódio sobre uma dubladora que perdeu a voz. Ao longo de 2016, procurei me aprofundar em estudos de desenho e dei minha primeira oficina de HQ autobiográfica, no FEIA (festival do instituto de artes) da Unicamp.

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 Meus projetos atuais envolvem histórias curtas, quadrinhos curtos — exercícios, mesmo — que costumo publicar na internet. Em meu trabalho, procuro trabalhar o lado insano presente em questões cotidianas que atravessam a nossa relação com o nosso corpo e com o (corpo do) outro. Mas não diria que sigo apenas essa linha.

 Além do Cordas, em breve ficarão prontos outros dois zines de quadrinhos: Ansiedade (zine autobiográfico, feito durante a oficina da Power Paola), e Areia (sobre narrativas de sonhos, em conjunto com o escritor Thiago Sá).

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 Também ficará pronta, neste mês, a série “Condição”: um projeto de ilustração que trata de artistas e suas doenças. Como eu vivenciei doenças em várias de suas nuances, senti necessidade de propor este trabalho como maneira de repensar nossa relação com a doença, o ser e o estar doente. Imprimi os retratos em pequenos postais e, neste mês, lançarei na Feira Plana (em São Paulo) o zine que reúne os 26 retratos feitos para está série. Alguns dos retratos estão presentes em tinyurl.com/condicao e nas redes sociais.

Para acompanhar o trabalho:

facebook.com/alinezouvi   alinezouvi.tumblr.com  instagram.com/alinezouvi

A exposição Lápis, Batom e TPM, começa neste sábado, dia 11 de março às 16h em Piracicaba e lá estará exposta a ilustração Princesa Leia, da Ana Abreu.

Dia 8/4, sábado, às 11h acontece a abertura da exposição “Condição”, de Aline Zouvi e bate-papo com a artista.

Todos estão convidados!

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