Entrevista com os pais da Pandora

capa

Hoje a Pandora faz 18 anos! Imagina a quantidade de desenhos que já foram feitos aqui! Mas como será que a escola nasceu? Como ela era há 18 anos atrás? Os pais da Pandora, os sócios Ricardo Quintana e Amilcar Mazzari contam como tudo começou.

Como vocês dois se conheceram?
Amilcar: Eu vinha de outras áreas, trabalhava com outras coisas e resolvi fazer um curso de desenho pra desencanar. Nesse curso, o Ricardo dava aulas de Desenho Artístico em outra escola, foi meu professor e nos tornamos amigos.

Ricardo: Quando o Titi (Amilcar) começou a fazer aula comigo, nos afinizamos e começamos a conversar sobre quadrinhos e o universo nerd em geral… Dai a pensar em abrir uma Comic Shop (a Pandora começou como Comic Shop) foi um pulo!

Como a Pandora nasceu e por que o nome Pandora?
Amilcar: Nessa de fazer o curso de desenho e nas várias conversas pós aula, comecei cada vez mais a entrar nesse universo e daí surgiu a ideia de abrirmos uma Comic Shop, com a possibilidade de também darmos cursos e produzirmos trabalhos para o mercado da ilustração. Começamos a debater a ideia, a ir conhecer as Comics Shop de São Paulo até que surgiu a Pandora.
O nome Pandora veio do conceito dela (a Pandora grega) ter em suas mãos algo que abre infinitas possibilidades, um universo de situações. Além de que a Mitologia Grega é fantástica !

2007

2007

Ricardo: A ideia básica da Pandora é que ela fosse um lugar, onde todos encontrassem de tudo, ou de onde saísse tudo. Tá, sei que da Cornucópia, sai tudo, mas acho que esse não seria um nome muito legal, então a próxima opção seria Vórtice (onde as linhas se encontram) e pra falar a verdade, parece ainda pior que “Cornucópia”!!
E foi quando nos lembramos do mito da Caixa de Pandora: Prometeu rouba o fogo dos Deuses para dar aos humanos, que representa a busca pelo conhecimento, pela inteligência e Zeus, irado presenteia Epimeteu com a Pandora, a primeira mulher, criada por Zeus e com a ajuda de todos os outros Deuses, cada um lhe dando uma virtude: “Afrodite deu-lhe beleza e poder da sedução; Atena a fez astuta e concedeu-lhe a habilidade nas prendas do lar… mas Hermes deu-lhe a capacidade de enganar os outros”, a Pandora tinha como presente de Zeus uma caixa, onde estavam todos os males e a Pandora, nunca deveria abri-la, mas como toda mulher é curiosa, ela abre e liberta tudo, fechando no último minuto e guardando apenas a esperança…
Para nós, esse mito, tem um infinidade de referências: A busca pelo conhecimento, a ousadia de libertar a humanidade, a injustiça contra as mulheres (tanto a Pandora, quanto a Eva, são as causadoras das desgraças da humanidade), a esperança de dias melhores e de uma forma muito, mas muito poética, nos pareceu ser o nome ideal ao lugar que gostaríamos de criar, um lugar onde houvesse a harmonia entre gêneros, a busca pelo conhecimento, a esperança, a ousadia, etc…

2007

2007

Imagino que tenham ouvido muitos comentários negativos sobre abrir uma escola de arte no Brasil, nas dificuldades que poderiam ter, e ainda assim, seguiram em frente, então, por que arte?
Amilcar: Já trabalhei em outras áreas, outros segmentos e gostei de todos. Mas, trabalhar em algo como a arte, que representa mais do que seu simples universo, o poder propagar cultura ao seu aluno, à sua cidade, ao público em geral, é uma sensação de gratificação indescritível. E, sim, nosso país é muito deficiente de incentivar a arte, mas gosto dos desafios, então, por quê não?!

Ricardo: Na verdade a pergunta é: Por que não arte? A maioria das pessoas tem a visão de que arte (ou o desenho, propriamente dito) é algo para poucos, é um dom divino. Em todas as conversas que eu e o Titi tivemos, sempre concordamos em um ponto: Todo mundo pode aprender a desenhar (ou a fazer arte). Essa ideia foi o que nos motivou! Nós nunca tivemos duvidas, nunca vimos o lado negativo de ter uma escola de arte (se é que eles existem mesmo), para nós, assim como todo mundo aprende (ou ao menos deveria aprender) a ler e escrever, todo mundo pode aprender a desenhar e a fazer arte. Esse desafio é o que nos move, nunca nem olhamos para trás!

2008

2008

Quais foram as principais dificuldades em começar uma escola de arte?
Amilcar: A cultura de nosso país e a geração em que fui criado sempre foram muito pragmáticos. Vivemos no ápice de um capitalismo, onde temos de ser os melhores em fazer dinheiro, onde o sucesso é reconhecido por quanto você fatura. Só que isso vale se você se considera uma engrenagem de uma máquina, onde sua emoção não importa. E a arte vai contra isso. Extravasar, emocionar, como arte pura e não como um produto comercial é complicado. Os pais que procuram os cursos da escola ainda precisam visualizar que esta arte poderá ser aplicada num futuro comercial da criança. Fazê-los entender que a arte é base de vida, é construção do ser humano ainda é difícil.

Imigração Japonesa

Imigração Japonesa

Ricardo: Na verdade, difícil é qualquer coisa que se começa do zero, sem ajuda financeira, sem patrocinadores ou PAItrocinadores. Nossas dificuldades foram as mesmas de qualquer empresa que começou do começo, um passo de cada vez. Qualquer novo negócio, tem que conquistar clientes, encontrar profissionais qualificados para prestar serviços, montar a melhor equipe de colaboradores, pensar em estratégias de mercado, etc. com a Pandora não foi diferente. Erramos em muitas coisas, acertamos em muitas outras, tropeçamos, caímos e levantamos inúmeras vezes, mas como disse o sábio Thomas Wayne ao seu jovem filho Bruce Wayne: “Nós caímos, para nos levantarmos mais fortes”.

M3361S-3034

Excursões e exposições

Qual foi a primeira vitória?
Amilcar: Não sei dizer uma primeira vitória. Sempre experimento uma quando ouço alguém desconhecido dizer: “Nossa, você é da Pandora??!” de uma maneira estupefata, mostrando o reconhecimento que a cidade nos dá. É muito prazeroso ver o carinho com que nos tratam.

Ricardo: Para mim, é difícil definir um único ponto, pois como já disse, as coisas foram indo, um passo de cada vez. Mas, ter a presença do Zé do Caixão, no nosso aniversario de 1 ano, foi algo muito marcante! Acho que a partir daquele dia, as pessoas começaram a olhar para a Pandora com outros olhos!

2008

2008

Além da estrutura do lugar, o que mudou nesses 18 anos na Pandora? Hoje a escola tem uma postura diferente?
Amilcar: Ah, a Pandora, como uma pessoa, amadureceu muito durante todos esses anos. Se tornou mais estruturada, mais sóbria com o que quer. Mas, ainda mantemos nosso idealismo de fazermos o melhor que pudermos para o público, para a arte. Bem típico de alguém com 18 anos mesmo, rsss!!

Ricardo: Mudou tudo!!! Aliás, quase tudo! Mudou e continuará a mudar, sempre! A Pandora, para gente, é como uma pessoa, que a cada dia aprende algo novo e logo coloca seus novos conhecimentos em prática!
A Pandora é feita e refeita todos os dias, e composta por mentes pensantes que a todo tempo reavaliam as condições, o mercado, os programas de aula, a necessidade dos alunos, tudo!
As únicas coisas que nunca mudaram são os nossos valores, aquilo que nos fez começar, a ideia de que podemos ensinar qualquer pessoa a desenhar ou a fazer arte.

2009 equipe

2009 equipe

Para onde vai a Pandora agora na maioridade? Quais os novos objetivos?
Amilcar: Acho que a Pandora não muda muito no seu rumo que é o de propagar a arte, mas sim seus meios. Temos feitos algumas ações on-line procurando vencer os limites físicos para oferecer o ensino e divulgação da arte a todos. Também temos fechados algumas parcerias interessantes que deverão fortificar ainda mais o nosso trabalho. Como diria meu tio: “Fez 18, agora são outras responsabilidades…”. Rssss.

Ricardo: Como eu já disse, ela nunca parou de crescer e nunca irá parar… E agora então, que já é maior de idade, só Deus sabe! Brincadeira! Temos muito objetivos traçados já há um bom tempo, que aos poucos vão acontecendo como os conteúdos on-line que o Titi comentou, para que quem está longe de Campinas e da Pandora, ao menos possa sentir um pouco daquilo que nos move, que eles possam perceber que se tem um sonho, devem seguir em frente e não desistir nunca!

Parte da equipe em 2009

Parte da equipe em 2009

Que conselhos gostariam de ter ouvido no início da carreira e que dariam hoje aos alunos?
Amilcar: Acho que o conselho que vivo, passo ao meu filho e passaria a todos é: “Quando for fazer algo, dê o melhor de si. Não por dinheiro, não por dever, mas simplesmente porque se vai fazer, faça direito!”
Não acredito no trabalho por dinheiro, ele é frio, é raso. Acredito no trabalho por paixão, e aí o dinheiro vem. Mas, o melhor é ser reconhecido pela dedicação e pelo empenho.

Ricardo: Na verdade, ouvimos muitos conselhos no começo, alguns nós seguimos, outros nós ignoramos. Algumas vezes foi melhor seguir, mas ignoramos; algumas vezes teria sido melhor ignorar, mas nós seguimos. Infelizmente, ou felizmente a vida é assim, deve ser vivida! Não existe formula, não existe segredo do sucesso. Existe trabalho duro, erros, acertos e perseverança.
Se eu realmente tivesse que dar um único conselho para quem tá começando hoje eu diria: Faça! Faça por você, faça pelo seu sonho, faça por que te faz feliz, faça do jeito que for, mas faça! É muito provável que você vá errar, é muito provável que alguém em algum momento irá te enganar e te passar a perna, é muito provável que em algum momento você irá fraquejar, é muito provável que você ficará exausto.
Mas, sabe o que é mais provável ainda? Você acertará! Você encontrará parceiros e amigos de confiança que estarão ao seu lado quando precisar! Você será forte! E mesmo cansado você será Feliz!!! Então, levanta e vai meu filho, minha filha, vá e Faça!

O tempo passa também para Pandora

O tempo passa também para Pandora

...Shares
Esta entrada foi publicada em Eventos, Homenagem e marcada com a tag , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta