Mãe, eu quero um apocalipse zumbi!

Já pensou se acontecesse mesmo um apocalipse zumbi? E se os únicos sobreviventes fossem 4 nerds que só sabem jogar RPG e videogame? Como eles vão sair dessa? Ou não vão!

Este é o tema do livro Mãe, eu quero um apocalipse zumbi!, do ilustrador Edegar Agostinho. Que está com uma campanha no Catarse para arrecadar verba e viabilizar o projeto.

O Edegar faz parte do grupo de Ilustração de Mercado, curso da Pandora, voltado aos desenhistas que querem entrar no mercado de trabalho. E ele já publicou outras histórias em quadrinhos, mas é melhor ele mesmo contar isso pra gente!

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Conte mais sobre você e os seus quadrinhos. Como começou a publicar?

Fazia quadrinhos com periodicidade para meus amigos de sala lerem, até que aos 16 anos (2010), fui convidado por um site francês a publicar um título com roteiro e arte minha na página deles. Continuei publicando até precisar largar para estudar para o vestibular, mas mesmo assim continuei fazendo alguns gibizinhos para meus amigos lerem.

Foi em 2015 que comecei no mercado dos independentes. Numa tacada só, lancei Tale Tracker, que se passa num mundo de contos de fadas muito parecido com a nossa sociedade, e a zine O Churros Encantado, em parceria com Mario Cau, Didi Mamushka e Fer Gaspar. E agora tô com a campanha do meu novo quadrinho Mãe, eu quero um apocalipse zumbi! no Catarse!

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Como você desenvolveu o humor nos quadrinhos?

Queria saber qual era o meu ponto forte, o que era mais interessante na minha narrativa. E, para minha felicidade, era a minha outra paixão: fazer o pessoal rir. Comecei a investir pesado nisso, lendo mais sobre o tema, buscando cada vez mais referências tanto dentro quanto fora do campo da arte sequencial, e começar a conduzir o meu estilo de humor, casando com o meu traço.

Sobre o novo lançamento “Mãe eu quero um apocalipse Zumbi”, como surgiu o enredo? Você procurou por um tema, ou já vinha pensando há tempos em zumbi?

A ideia surgiu mais de uma indignação do que de uma inspiração. Sempre achei que não fazia o menor sentido os filmes de zumbi tentarem ser o mais próximo do real possível, como se fosse possível acontecer! E pior ainda era um pessoal acreditando que realmente iria acontecer, e se preparando para a data (existem até estudiosos da área).

Como isso não faz o menor sentido para mim, resolvi fazer alguma coisa dando a minha visão do assunto. As ideias começaram a surgir aos poucos, pois estava trabalhando em outros projetos na época, e não sabia até que ponto seria interessante fazer um quadrinho de zumbi, já que nunca fui muito fã do gênero. Comecei a ler alguns livros e pesquisas sobre o assunto, ver também alguns filmes (eu sou cagão e sempre fugi dessas obras) e quadrinhos do tema. Até que eu decidi que essa história deveria ser contada.

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E como foi a parte técnica da criação? Tirar as ideias da cabeça e fazer acontecer?

No começo me preocupei em criar os personagens e os principais pontos da trama. Depois de tudo já decidido, até mesmo algumas piadas, fiz o roteiro já pensando no que ia acontecer em cada página, como as falas (que sofreram alterações, claro) e as demais piadas.

Com o roteiro pronto, fiz um storyboard. Cada folha do storyboard tinha mais ou menos metade do tamanho da página que eu iria desenhar, pois gosto de deixar bem claro o tamanho de cada quadrinho, onde entra o personagem, cenário, balão, entre demais elementos que compõem a página.

E finalmente o último passo foi desenhar e finalizar tudo, que de certa forma é o mais trabalhoso ao mesmo tempo que é mais simples, pois já tenho a direção de tudo.

Como foi a finalização da arte?

O quadrinho todo é em preto e branco, onde uso apenas do alto contraste (só preto e branco mesmo, sem variações de cinza) para criar o desenho. Todas as páginas foram desenhadas no papel, arte finalizadas com caneta nanquim (vários tipos de ponta) e em alguns momentos também utilizei pincel e caneta branca. As falas foram adicionadas depois no Photoshop.

mockup_livro_catarse A sua história em quadrinhos tem 152 páginas, é bastante coisa! Desde quando está trabalhando neste projeto?

Como disse anteriormente, a ideia surgiu enquanto fazia outros projetos, o que fez com que fosse mais devagar a produção. A ideia começou mais ou menos no meio de 2014, e o roteiro só ficou pronto, junto com o storyboard, no final do mesmo ano.

Para desenhar as páginas, foi basicamente final de 2014 até comecinho de janeiro de 2016, pois fiz uma pausa na produção devido outros projetos (Tale Tracker e O Churros Encantado, os títulos que lancei em 2015).

Quem ler vai ficar com medo ou vai dar risadas?

Acho que o único medo que o leitor pode ter é de ler uma piada ruim. Existem alguns momentos que a história fica um pouco mais tensa, mas é a comédia que marca presença durante todo a obra.

Quais foram as suas referências ou inspirações para criar a história?

É estranho eu falar isso, porque nenhum título do gênero zumbi me serviu como maior inspiração. Me serviram mais como referência, de fato.

Gosto sempre de ter o maior leque de referências possível, para poder me inspirar das mais diversas fontes. Acho que nos quadrinhos o que mais me influenciou foi Asterix, One Piece, e os títulos de Gustavo Duarte.

Fora dessa mídia, me inspirou muito o seriado mexicano Chaves, o comediante brasileiro Ronald Golias (descansem em paz, mestres), a Cia de Humor Os Barbixas, alguns nomes do Stand Up, os Mamonas Assassinas, entre outros.

Por que escolheu 4 nerds que jogam RPG para sobreviverem?

Porque eu queria 4 personagens que ficassem mesmo sem saber o que fazer num apocalipse zumbi. Na verdade eles sabem muito bem o que precisa ser feito, mas só se rolarem um d20 (dado de 20 faces, usado nas jogatinas de RPG).

Você também joga RPG?

Jogava quando era mais novo. Sempre tacava o terror na história, gostava de fazer as narrações se tornarem coisas completamente fora do comum. Já joguei até mesmo de centauro ninja, só para ver o que era possível de ser feito.

É um jogo divertido que treina bem a improvisação, e pode render ótimas histórias (ou uma história sem pé nem cabeça, se você jogar comigo).

Mas quase não jogo mais já que sou de Nova Odessa, e meus amigos que jogam ou são de Santa Bárbara D’oeste ou Campinas, e dificulta manter a regularidade de encontros que uma partida requer.

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E se amanhã acontecer um apocalipse zumbi, como o leitor deste blog poderá sobreviver?

Ele não sobrevive. Simples. O comediante Daniel Duncan, em um de seus textos de stand up diz:

“Gosto muito de imaginar como a humanidade iria reagir a um apocalipse zumbi. Acho que metade da população não iria saber o que fazer, e a outra metade iria tirar foto pro Instagram”. Essa fala traduz bastante o espírito de Mãe, eu quero um apocalipse zumbi!

Você quer um apocalipse zumbi?

De jeito nenhum!!!

Clique aqui para saber como apoiar este projeto!

Ah, uma das recompensas é muito divertida: o Edegar vai desenhar você numa versão zumbi e te mandar o print! Gostou? Então vai lá apoiar porque a campanha é por tempo limitado!

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Quer aprender todos os recursos técnicos, estilísticos e narrativos para se contar uma história usando a arte sequencial, e ainda entender sobre o mercado e como é o trabalho de um quadrinista, da concepção de uma história, até a publicação?

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