Mulher Maravilha: Amazona • Heroína • Ícone

Após décadas sendo eclipsada por Batman, Superman e outros personagens masculinos no universo dos super-heróis, a Mulher Maravilha ressurgiu triunfante em 2017 com um bem sucedido filme solo – o mais bem sucedido do universo compartilhado baseado em personagens da DC Comics no cinema até agora, e com ‘Professor Marston & The Wonder Women‘, filme que conta a história do doutor William Moulton Marston, seu criador.

Na esteira desse sucesso, a editora Leya lança o livro “Mulher Maravilha: Amazona, Heroina, Ícone”, de autoria de Robert Greenberger, profissional da indústria americana de quadrinhos que ocupou variadas posições editoriais e executivas na DC e na Marvel ao longo de décadas.

As páginas do livro são recheadas de belas ilustrações de pesos pesados dos quadrinhos como George Perez, Alex Ross, Brian Bolland e Jim Lee, bem como de outros artistas menos conhecidos.  O texto de Greenberger é fluido, usando elementos temáticos ao invés de cronológicos para guiar o leitor através de sete décadas de histórias. Somos apresentados a uma galeria de curiosos e bizarros vilões, bem como amigos e aliados.

Fãs de longa data certamente apreciarão a introdução escrita pelo legendário artista George Perez, que não apenas foi responsável pelos desenhos da mega saga ‘Crise nas Infinitas Terras’, mas que também recriou a personagem na década de 80, simplificando sua complexa origem e reforçando os elementos mitológicos presentes na história da Mulher Maravilha.

O livro também comenta sem restrições a peculiar vida pessoal e interesses do criador da Mulher Maravilha. Psicólogo, advogado e inventor, o doutor William Moulton Marston possuía ideais e interesses um tanto ousados. Um feminista fervoroso, adepto de sadomasoquismo e bondage. Defensor de estilos de vida alternativos, Marston vivia um relacionamento complexo com duas mulheres – sua esposa Elizabeth Holloway Marston, e Olive Byrne.

Em 1941, Marston projetou muitas de suas ideias e opiniões na criação de Mulher Maravilha. Para ele, a personagem era uma espécie de “propaganda psicológica de um novo tipo de mulher que deve mudar o mundo”. De certa forma, a “propaganda psicológica” do doutor Marston funcionou extremamente bem, considerando-se o ícone feminista no qual a personagem se tornou.

Gloria Steinem

Falando em feminismo, talvez uma das maiores falhas do livro seja mencionar apenas brevemente Gloria Steinem, jornalista e ativista política pelos direitos das mulheres que teve um papel importante na história da personagem em um período durante os anos 70 em que a DC, em uma tentativa de modernizar a Mulher Maravilha, a transformou em uma lutadora de artes marciais, despindo-a de seus poderes e icônico uniforme. Steinem, uma admiradora da personagem, criticou abertamente a decisão da DC e pediu um retorno as origens. Graças a pressão de Steinem e de uma base de fãs cada vez menor, a personagem voltou ao seu uniforme e aos poderes que a tornavam uma personagem capaz de enfrentar o Superman.

Devido á ênfase em sua encarnação nos quadrinhos, o livro não discute com profundidade como a personagem influenciou a representação das mulheres em filmes, televisão e cultura popular em geral. Mesmo a icônica série televisiva exibida entre 1975-1976 estrelando Linda Carter recebe pouquíssima menção.

Mas tudo considerado, as falhas mencionadas não mudam o fato de que este é um belíssimo livro que certamente agradará a novos e antigos fãs da personagem, e também aqueles que se interessam pela história dos quadrinhos. É ao mesmo tempo uma carta de amor à personagem e um estudo de uma heroína dos quadrinhos que, através de décadas, se transformou em um poderoso arquétipo.

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