Vai lá menino!! Bate papo com Mário Cau sobre Ousadia e Iniciativa – parte2

Hoje é dia da segunda e última parte da entrevista com o Mario Cau, dando dicas de como lançar nossa própria HQ, e contando sua trajetória.

2

E no começo, até o autor ter leitores fiéis, não fica a impressão de estar escrevendo sem ser lido?

Leva um tempo até ter leitores que te acompanham. A Pieces nº1, que foi a primeira que escrevi, desenhei, editei, paguei, distribui, só esgotou em agosto deste ano.  Foi feito 1000 exemplares em março de 2009. Levou um tempão pra esgotar! Daí você pensa “não tenho nem 1000 leitores?” Não. Você tem 50, mas daqui a pouco tem 100 e assim vai evoluindo.

Os leitores vão aumentando ano a ano. Para você ter leitor, primeiro você tem que existir.

Minha dica: monte um site, divulgue no twitter, facebook, pede para os seus amigos compartilharem.

Para você não ter a frustração de não ter leitor, é preciso fazer leitor. Primeiro faça para você. Seus amigos vão compartilhar e isso vai se expandir. Se você tem empenho, vontade, e quer continuar contando aquela história, uma hora outra ela vai chegar em algum lugar. Vai construindo um público.

Ano passado, fiz uma campanha no Catarse para o Terapia virar livro. Eu mandava recado para os amigos no facebook, e tem gente que me conhece há anos e nem sabia que eu tinha este quadrinho. E veja, a Terapia está com 3 anos de existência, publicada semanalmente, com 7 a 10 mil leitores semanais e amigos meu de colégio não sabiam que eu fazia quadrinhos! Tem que ter paciência.

Você não precisa esperar até desenhar como um grande mestre dos quadrinhos para fazer a sua primeira história! Tem que fazer logo!

Vai ficar ruim? sim! Tem que ficar ruim! porque a primeira é ruim. É um processo, tem que se propor a fazer, a lidar com o feedback negativo que pode chegar.

Campinas – São Paulo, não é tão longe assim, e eu acho que falta público no HQ Mix e em outros eventos da área. Vários eventos são gratuitos e grandes nomes dos quadrinhos vão, e tem shows legais. O quadrinho brasileiro é uma grande família, as pessoas se gostam, se querem bem, e querem o sucesso um do outro.

Sempre digo “se mexe um pouco!” Eu comecei a pegar ônibus e metrô quando eu era um moleque do interior. Não sabia andar em São Paulo, mas eu fui, e descobri como chegar.

É a chance de conversar com as pessoas que você admira, tirar fotos, dizer “cara, sou seu maior fã! Eu te amo! rsrsrs” A gente faz isso até hoje!.

Leiam mais! Participem!

No meio de quadrinhos, as pessoas são próximas e calorosas. Fiz muitos amigos neste meio, e alguns dos meus ídolos viraram colegas e fazemos muitas coisas juntos.

4

Por falar em fazer amigos neste meio de quadrinhos, como você conseguiu fazer com que 53 pessoas participassem do Artbook Terapia?

No Artbook Terapia, eu queria a princípio chamar umas 5 ou 6 pessoas, mas aí fui vendo que tinha muita gente que eu conheço e que não podia deixar de fora e fui convidando. Foi um pouco na cara de pau, e achei que conseguiria uns 30 amigos para fazer, no Brasil inteiro.

Decidi ser cara de pau e chamar também os “caras grandes”, porque mesmos com esses caras grandes, eu já tinha me encontrado em eventos e sei que eles são acessíveis.

Só convidei e vários deles aceitaram! Falaram que conheciam, que curtiam o Terapia!

Então, a grande dica é… 

Uma dose de cara de pau, cutucar as pessoas, mandar email. Não importa se vão te responder ou se você não vai ser tratado como o grande novo gênio da arte brasileira. Não tenha medo de críticas, porque a gente vai ser criticado. Todo mundo é criticado.

Tem que ter uma certa cara de pau e ir com o ego um pouco preparado, porque não é todo mundo que vai amar seu trabalho.

Não pode se acostumar com o elogio fácil da avó. Não deixar o ego ficar machucado com qualquer crítica que venha. Aprenda com elas! Agora vai lá, começa a sua história e fala com as pessoas!

Juliana Romão

...Shares
Esta entrada foi publicada em Noticias e marcada com a tag , , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta